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O que você descobre quando realiza exame toxicológico em 57.000 motoristas profissionais?

11/03/2019 Chromatox

Em março de 2016, o governo brasileiro introduziu uma nova legislação que exigia que todos os motoristas profissionais submetessem uma amostra de cabelo para exames toxicológicos ao ingressarem ou saírem de empresas de transporte, ou ao obterem ou renovarem sua carteira de habilitação. O teste de $100 é pago pelos próprios condutores.

O objetivo dessa nova legislação era reduzir o número de acidentes nas estradas do Brasil, e nosso laboratório brasileiro, ChromaTox, foi parte integrante do processo de testes.

Diante disso, que impacto a nova lei teve em seu primeiro ano e quais são os resultados do maior esquema do mundo de teste de drogas e álcool em cabelo?


O método

Motoristas profissionais tirando uma nova carteira de habilitação ou renovando uma existente foram direcionados para o local de coleta autorizado mais próximo, onde uma amostra de cabelo foi retirada. Essas amostras foram enviadas para a ChromaTox para análise, usando metodologias compatíveis com os padrões ISO/IEC 17025.

Os testes verificam a presença de opiáceos, canabinoides, anfetaminas e cocaína, com cabelo coletado o suficiente para se obter uma imagem precisa do uso de drogas do indivíduo nos últimos três meses. Durante o primeiro ano de testes, 56.996 amostras de cabelo foram coletadas e analisadas.


Os resultados

60,4% das amostras analisadas eram pelos corporais, principalmente das pernas (36%) e dos braços (10,2%). Das 56.996 amostras de cabelo testadas, 1.684 – ou 2,95% – indicaram a presença de drogas.

Das amostras positivas, a droga mais comumente detectada foi, de longe, a cocaína (719 positivos), seguida de benzoilecgonina (381), cocaetileno (223) e THC (164).

Os resultados mostraram níveis de positividade mais baixos do que nos dias pré-legislação, mas ainda foram maiores do que esperávamos. A razão, acreditamos, é a falta de clareza sobre o local de onde a amostra deva ser coletada. No Reino Unido, defendemos o uso de fios de cabelo, que podem ser cortados no comprimento certo para se observar os 3 meses anteriores de uso de drogas. O pelo do corpo, no entanto, é testado em comprimentos inteiros sem seccionamento, o que significa que os resultados dos pelos do corpo podem remeter a períodos ainda mais antigos, potencialmente inflando o número de resultados positivos.


O que isso significa para a segurança rodoviária brasileira

O exame toxicológico no cabelo provou ser um meio eficiente de testar as drogas identificadas pela lei brasileira. Os motoristas têm acesso a 8.000 centros de testes instalados pelo governo, portanto, mesmo aqueles nas áreas mais rurais do país podem cumprir a nova legislação.

Com os motoristas pagando a taxa de $100 para os testes de drogas de seus próprios bolsos, é provável que eles tomem mais cuidado do que nunca para evitar testes positivos. E, com o teste de cabelo oferecendo uma janela de detecção mas larga do que os exames de urina ou sangue, o método apresenta uma imagem precisa do uso recente. Entretanto, pode ser que os condutores que sabem que a renovação de sua carteira de habilitação está se aproximando escolham se abster das drogas por alguns meses antes do exame, e é por isso que recomendamos o acréscimo de testes na estrada à legislação brasileira.

No primeiro ano, vários motoristas recusaram-se a renovar suas carteiras profissionais, sugerindo que podiam mudar de condução de longa distância (o único tipo de condução profissional atualmente regulado) para condução de táxi ou de entrega. Contudo, em uma palestra no recente evento da Society of Hair Testing em Cardiff, o Ministro brasileiro dos Transportes, Francisco Garonce, alegou que o regulamento será estendido aos motociclistas, seguidos por toda a população.

Finalmente, questões foram levantadas sobre os métodos de coleta e a diferença entre análise de cabelos e de pelos do corpo. Com os pelos do corpo detectando o uso de drogas por um período mais longo, é possível que a incidência de resultados positivos possa diminuir se o teste for restrito apenas ao cabelo.

Após seu primeiro ano sob as leis brasileiras, está claro que o teste de cabelo é um método exato e eficaz para os motoristas profissionais. E, com os próprios motoristas pagando o alto custo do teste, eles são duplamente incentivados a garantir que permaneçam limpos: o teste positivo não apenas desperdiçaria dinheiro, mas também os veria perder seus meios de subsistência.

Dito isso, a abstinência de alguns meses pode permitir que os usuários de drogas passem nos testes. Com dois anos e meio entre as renovações de habilitação, acreditamos que testes aleatórios de drogas nas estradas podem reduzir ainda mais o número de resultados positivos.


[Texto original]