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Como a contaminação externa afeta os resultados do teste para drogas de abuso no cabelo?

13/11/2017 Chromatox

Para usuários de drogas de abuso, a perspectiva de um futuro teste no cabelo pode levar a reações questionáveis. Enquanto alguns usuários podem aceitar seu destino em silêncio, apesar de relutarem, outros acreditam que podem driblar o sistema tingindo os cabelos, usando uma peruca ou raspando a cabeça.

Essas táticas não funcionam.

Outros decidem alegar contaminação externa. Uma alegação comum é “Nunca usei drogas, apenas fui a uma festa onde outras pessoas usavam”.

É verdade que fatores externos podem causar contaminação. Entretanto, é raro que tal situação possa influenciar o resultado de um caso judicial. Vejamos os motivos.

O que é contaminação externa?

O teste para drogas de abuso no cabelo tem o objetivo de estabelecer padrões de abuso de longo e curto prazo, entretanto, é possível que amostras sejam contaminadas externamente pelo ambiente do indivíduo. Drogas de abuso podem penetrar nos cabelos de três maneiras diferentes: pelo sangue, pelo suor ou sebo, ou como resultado de exposição externa.

Essa exposição pode fazer com que o cabelo fique contaminado com pequenos vestígios da droga de abuso, resultando em uma conclusão falsa de uso de drogas ou em um falso positivo, caso os procedimentos para o teste no cabelo não sejam seguidos corretamente.

Como ocorre a contaminação externa?

A causa mais comum de contaminação externa ocorre quando o indivíduo entra em contato com traços de cocaína ou com a fumaça de maconha através de contato próximo com usuários destas drogas. Pode ser que o indivíduo tenha comparecido a uma festa onde amigos estavam fumando maconha próximos a ele, ou que suas mãos tenham entrado em contato com a cocaína, seja intencionalmente ou por acidente, e depois tenham sido passadas nos cabelos.

A contaminação pode também ser causada através do suor ou sebo, o que dificulta dizer se ocorreu uso uma única vez ou uso múltiplo, em algumas situações específicas.

O que significa a contaminação em testes no cabelo ?

A contaminação externa pode ter um impacto mínimo em testes no cabelo para drogas de abuso, desde que, os procedimentos analíticos sejam seguidos corretamente.

Os laboratórios que efetuarem os testes no cabelo devem lavar as amostras de cabelo antes do início dos testes, para minimizar os efeitos de contaminação externa. Apesar da lavagem ser eficiente, não há como ter certeza de que todo o resíduo foi removido, e a lavagem excessiva pode dar início ao processo de extração, caso drogas de abuso ingeridas estejam presentes, o que afetará os resultados.

Entretanto, ao analisar os resíduos da lavagem e compará-los aos níveis detectados no cabelo, podemos determinar resultados conclusivos. Caso os níveis presentes nos resíduos sejam mais altos do que os presentes no cabelo, a conclusão é que a maior parte da droga encontrada vem de contaminação externa. Contudo, se as drogas forem detectadas no cabelo e não nos resíduos da lavagem, teremos indicação de uso de drogas de abuso.

Existem vários estudos científicos sobre protocolos de lavagem que mostram a eficiência do teste no cabelo para drogas de abuso, mas sua validade pode ser contestada devido ao uso de amostras artificialmente contaminadas. Entretanto, nossos próprios estudos com amostras reais de cabelo mostraram que a contaminação externa raramente tem impacto significante na interpretação dos resultados.

Em que devemos ficar atentos

Podem haver casos em que ocorra um diagnóstico errôneo, mas há como tomar medidas para evitar isso.

Pode ocorrer, por exemplo, que a análise dos resíduos de lavagem mostre níveis detectáveis de droga de abuso, mas que esses níveis estejam abaixo do limite analítico e, portanto, não sejam quantificáveis. Nestes casos, pode ser que uma pequena quantidade da droga tenha sido ingerida, ou que o processo de lavagem não tenha removido completamente a contaminação pelo ambiente.

Para evitar este problema, a boa prática de laboratório deve ser combinada com a ferramentas de diagnóstico para oferecer o panorama mais correto possível, antes que a contaminação externa seja sequer considerada. Quando as drogas são detectadas em uma amostra de cabelo, fica claro que o indivíduo deve ter tido contato com as drogas dentro do período de tempo sendo testado: o desafio é estabelecer a causa principal do resultado positivo.

Ao utilizar métodos rigorosos de pré-testes e testes, é possível estabelecer, na maioria dos casos, se um resultado positivo ocorreu devido à ingestão ou à contaminação externa. Entretanto, nos poucos casos em que o resultado não seja claro, o mesmo deve ser interpretado juntamente com provas corroborantes baseadas no contexto social, em dados clínicos ou em ambos para garantir um grau de precisão que seja válido, caso haja questionamento em um tribunal.